sábado, 19 de junho de 2010

Conto: "A Mudança"


Parte 3 - A Chegada



Apesar do tempo perdido, a viagem segue. Repensei a rota a partir do ponto onde estávamos e tentei não me abalar com o que havia ocorrido. Mas para mim é claro que a chama da empolgação inicial com a mudança já estava menos reluzente nesse momento. Para tentar recuperar o ânimo voltei a vasculhar meus objetos. Dessa vez procurei objetos que pudessem me trazer boas lembranças. Condecorações, congratulações por conquistas alcançadas, medalhas de honra ao mérito, diplomas, certificados, ou seja, objetos que não tem nenhum valor material, mas que trazem à tona boas memórias de meus momentos de glória. Rever o trajeto da minha vida a partir de minhas glórias conseguiu resgatar um pouco do estado de espírito que eu estava no início da viagem. No fundo, eu desconfiava que esse estalo de empolgação fosse um tanto artificial. Entretanto, momentaneamente foi o suficiente para me devolver a disposição para continuar a viagem rumo ao meu tão sonhado novo lar.
As freadas e os solavancos continuavam enquanto eu revirava aquele monte de quinquilharias. Nesse momento a viagem segue o trajeto correto porque estou constantemente orientando o motorista. Tive dúvidas em algumas encruzilhadas, mas nada que tenha comprometido significativamente a viagem. O que me incomodava era a lentidão com que o tempo passa dentro do baú do caminhão. Conforme o tempo se arrasta lentamente eu vou me afastando de mim mesmo. Em alguns momentos até esqueço que estou fazendo a viagem mais esperada da minha vida. Encostado num cantinho confortável na parte de trás do caminhão, eu me perco em meus pensamentos. Até a organização dos objetos não me anima mais como antes. Chego até a me questionar se era realmente necessário ter encarado toda essa mudança. Mas já não há mais como voltar. Mais da metade do caminho já ficou para trás. Embora meu estado de espírito não esteja progredindo tão bem quanto antes, o competente motorista e seu caminhão imprimem um bom ritmo à viagem. Eu simplesmente tento acompanhar esse ritmo, continuando com minhas orientações ao motorista e organizando aos poucos meus valorosos pertences (ou nem tão valorosos).
Estamos chegando. Muitos quilômetros de solavancos e freadas já foram percorridos. Enfrentamos mais alguns imprevistos, contornados à medida do possível. Dentro de mim mesmo passeei em uma enorme montanha russa de sensações enquanto organizava e decidia quais objetos continuariam comigo. O mesmo para a minha motivação, que se bipolarizava, alternando constantemente entre a completa letargia e a empolgação exagerada. Contudo, finalmente estávamos muito próximos do meu novo lar.
Ao avistar minha nova casa o que sinto é uma forte excitação, um tanto adulterada pelo cansaço da longa viagem. Diferente da felicidade incontida que imaginei sentir quando esse momento chegasse, apenas esbocei um sorriso. Sorri por ter chegado ao meu novo lar, mas também sorri por que finalmente terminava aquela longa e desgastante viagem.
Descarreguei todos os móveis e as inúmeras caixas cheias de objetos com a ajuda do meu fiel companheiro de viagem, o competentíssimo motorista. Além da admiração pelo seu ótimo trabalho, fiz questão de demonstrar minha eterna gratidão pelo serviço muito bem prestado. Desejei uma ótima viagem de volta e me despedi do meu novo amigo. Enquanto ele partia, mantive meus olhos no caminhão até que não mais o pudesse ver, ao longe se misturando com os outros veículos q trafegavam na rodovia.

Continua...

Léo Castro

segunda-feira, 7 de junho de 2010

Conto: "A Mudança"


Parte 2 - Os Primeiros Quilômetros



O motorista me orientou a ficar um tempo sentado na parte de trás do caminhão para me adaptar ao balanço causado pelas arrancadas, freadas e buracos do caminho. Os primeiros quilômetros realmente foram muito difíceis, mas como eu estava ainda extasiado pela idéia da mudança, me adaptei facilmente a toda aquela agitação. Quando me levantei fui tateando as paredes do baú do caminhão, me apoiando em alguns móveis e firmando os pés aos poucos até que fiquei completamente de pé. Logo veio um forte solavanco que me jogou para trás. Por pouco não cai sobre todas aquelas caixas, mas meus pés já estavam firmes no chão e consegui me equilibrar.
A viagem continuava. Durante as primeiras horas, percebi que o motorista mantinha uma boa velocidade. Logo pensei que se continuássemos naquele ritmo, poderíamos levar menos tempo do que eu havia imaginado para chegar ao meu novo lar. Trocava algumas poucas palavras com o motorista. Eu era responsável por indicar o caminho, mas até aquele momento nossa rota era simples, bastava indicar o sentido que o motorista nos guiava pelas melhores estradas, seguindo o fluxo dos outros carros.
Finalmente comecei a vasculhar algumas caixas com meus objetos. Decidi começar a organização pela parte que considerei mais fácil. Separei os objetos que seriam menos úteis e que não tinham tanta importância. Surpreendi-me com a grande quantidade de coisas sem importância e utilidade que acumulei durante esses anos. É claro que muitas vezes não nos damos conta da real importância que algumas coisas podem ter em nossas vidas, mas vendo aquela infinidade de coisas que juntei, percebi que até agora não havia me preocupado muito em fazer essa avaliação. A partir desse momento decidi que vou tentar avaliar melhor as minhas escolhas e dedicar menos tempo de minha nova vida a essas coisas inúteis.
A essa altura já estou mais acostumado com o balanço do caminhão, mas ainda preciso fazer muito esforço para me manter de pé. Todo esse esforço somado ao cansaço acumulado depois de dias dormindo pouco enquanto encaixotava minhas quinquilharias, ainda no meu antigo casarão, estou muito desgastado e meu corpo já não responde bem aos comandos de minha mente. Resolvi recuperar minhas energias e sentei-me em um cantinho, encostado em uma das caixas.
Embora quisesse descansar, tentava me manter acordado para orientar o motorista caso ele precisasse. Mas o cansaço falou mais alto e em poucos minutos adormeci profundamente. Sonhei com minha nova casa. Tudo era muito colorido e vivo no meu sonho, exatamente como eu imaginava. No sonho eu chegava perto da janela da casa e olhava para a rua acenando para as pessoas que passavam. As pessoas inicialmente estranhavam, mas acenavam de volta. Eu sorria o tempo todo e queria mostrar para as pessoas na rua como estava feliz naquele lugar. De repente ouço um enorme barulho e sinto um forte solavanco. Já não era mais sonho.
O forte estrondo me trouxe de volta ao baú do caminhão, onde tentava entender o que estava acontecendo.
O motorista me chamou e disse que havia passado em um buraco enorme e um pneu havia estourado. Saí de dentro do baú e minha primeira reação foi olhar a volta para ver onde estávamos. Não reconheci aquele lugar. Não sabia onde estávamos. Perguntei ao motorista se ele tinha alguma noção de onde estávamos e ele respondeu que sabia, mas não tinha certeza se era o caminho certo. Disse que havia tentado me acordar para perguntar a direção correta, mas por mais que insistisse não conseguia nenhuma resposta, então decidiu seguir viagem. De fato, havíamos nos desviado do caminho. Não podia culpar o motorista, a falha foi toda minha. Negligenciei minha tarefa de informar o caminho e por isso perdemos muito tempo de nossa viagem. Ao menos não estávamos perdidos, mas esse erro me custou muito caro.
A viagem precisava seguir em frente, já havíamos perdido muito tempo com esse desvio. Mas confesso que fiquei bastante abalado com essa falha. Que ao menos tenha servido de lição para a continuidade da viagem. Trocamos o pneu e seguimos em frente.

Continua...

Léo Castro

domingo, 6 de junho de 2010

Conto: "A Mudança"


Nesse conto um homem narra sua saga após decidir escolher um novo caminho para sua vida. Uma longa viagem em busca de um novo lar. Seu destino ele conhece, no entanto a longa jornada até lá será cheia de desafios e surpresas. Acompanhe-o nessa aventura que será publicada em partes aqui nesse blog. Boa viagem! 

Parte 1 - Encaixotando as Memórias



Estou de mudança. Decidi sair da casa onde morei boa parte da minha vida até agora. Um casarão enorme, com uma fachada rústica em tons de cinza, de onde não se enxerga nada do que se passa lá dentro. Um prédio gigantesco e imponente muito bem localizado que se destaca entre os prédios da vizinhança, mas não chega a ser bonito nem tampouco feio.
Seria injusto dizer que fui infeliz nesse lugar. Durante todos esses anos que vivi aqui, escrevi aos poucos minha história, acumulando inúmeras conquistas e fracassos, além de uma infinidade de móveis, objetos e quinquilharias. Entretanto, ao longo do tempo esse casarão enorme passou a me sufocar. Era como se eu vivesse em constante alerta de que o prédio pudesse cair sobre minha cabeça a qualquer momento. Esse nunca foi o lugar onde sempre sonhei morar. Aqui nunca vivi a vida que sempre sonhei viver. 
Portanto tomei uma decisão: vou me mudar para um lugar muito distante daqui. Uma casa que em nada lembra a robustez do meu casarão. Ela é muito menor, mas não menos aconchegante. Tem janelas de frente pra rua. Cores vivas na fachada. Também não é feia nem bonita, mas é o lugar que escolhi para ser o meu lar. Uma casa que será preenchida pela vida que sempre sonhei viver. Um lar onde me sentirei muito mais seguro e poderei deixar minhas janelas abertas. 
Essa não foi uma decisão repentina. Pensei e planejei isso durante muito tempo. Pesquisei várias empresas de transporte que pudessem fazer a minha mudança. Escolhi uma bem renomada que tem ótimos profissionais e uma frota de veículos bem moderna, afinal a distância é muito grande e não quero correr o risco do caminhão quebrar no meio da estrada. Será uma viagem muito longa e estaremos sujeitos às condições do tempo, estradas esburacadas e trechos muito sinuosos, portanto poderá haver diversos imprevistos durante a jornada. 
Há alguns dias comecei a encaixotar meus objetos e desmontar os móveis. Esquecidos no fundo de gavetas e armários encontrei diversos objetos que me reavivaram as mais diversas memórias. A maioria das coisas já não tem mais utilidade nenhuma. Algumas até tem utilidade, mas não terão espaço na vida que escolhi viver. Mas todos esses objetos estão impregnados de fragmentos da minha história.  
Esvaziar esse casarão me forçou a reviver tudo o que passei aqui nessa casa. Cada objeto me lembrava um instante diferente da minha vida até aqui. Cada lembrança tinha um significado específico, algumas ainda estavam fortes na minha memória, outras já haviam se perdido com o tempo. A cada caixa que eu lacrava revivia um punhado de anos de histórias e vivências. Por fim, quando terminei de encaixotar tudo, percebi que havia acabado de fazer um ótimo exercício de auto-conhecimento.  
Juntei tudo em caixas sem me preocupar em organizar os objetos. Apenas recolhi tudo o que havia acumulado nesses anos todos. Só então me lembrei que a minha nova casa era muito menor do que esse casarão. Nesse momento me veio à tona que, para fazer essa mudança, eu teria que fazer muitas escolhas. Teria que reorganizar os objetos que iria utilizar no meu novo lar e me desfazer dos que fossem inúteis. Seria fácil simplesmente descartar alguns desses objetos, principalmente os que não tiveram muita importância na minha vida ou que não teriam utilidade nenhuma no meu novo lar, mas entre toda aquela quinquilharia que eu juntei com certeza teria dificuldade de abrir mão de muitas coisas. Fazer essas escolhas não seria uma tarefa fácil. 
Enfim, está tudo encaixotado. Meu antigo casarão já não faz mais parte da minha vida, mas parto daqui carregando tudo o que acumulei. O que continuará comigo no meu novo lar decidirei no momento oportuno. Agora, preciso estar preparado para enfrentar as dificuldades que possam aparecer no caminho. 
O caminhão da mudança encosta na frente do casarão e dois homens se encarregam de colocar tudo dentro do baú. O caminhão é grande, afinal é muita coisa pra se carregar. Os homens terminam de fazer o serviço e somente o motorista fica para me acompanhar na viagem, mas ele deixa claro que eu serei o responsável por indicar o caminho. 
Decidi fazer a viagem dentro do baú do caminhão, assim no caminho eu poderia ir organizando os objetos, escolher de quais iria me desfazer e quais continuaria fazendo parte da minha nova vida. O motorista autorizou que eu viajasse na parte de trás do caminhão, de onde posso manter contato com ele para dar as coordenadas do nosso destino.  
E assim o caminhão partiu em direção ao meu novo lar, deixando pra trás o casarão onde nunca sonhei morar e a vida que nunca sonhei viver.
Continua...


Léo Castro

quarta-feira, 5 de maio de 2010

Choque de Realidade

No começo dessa semana tive pela primeira vez o que chamarei de "choque de realidade". Passado todo o deslumbramento com o emagrecimento inicial, que é muito rápido, devido à dieta líquida, realmente senti na pele o que era falado à exaustão por todos os profissionais e gastroplastizados com quem me orientei antes da cirurgia: "A cirurgia não faz milagres, é preciso uma mudança radical de hábitos e uma reeducação alimentar". No cursinho pré-cirurgia bariátrica no SEMPRE da Unimed, todas as aulas giravam em torno dessa constatação e da dificuldade que era passar por isso. À época até achei um certo exagero, pois acreditava que essa mudança viria naturalmente e que o empurrão da auto-estima tornaria essa mudança uma coisa muito suave.
Constantei que isso não seria tão fácil no começo dessa quarta semana pós cirurgia. Normalmente me peso somente às sextas-feiras, mas dessa vez, por acaso, sai para uma caminhada com meu pai na segunda-feira e passamos pela fármacia onde estou me pesando. Quando subi na balança tomei o "choque de realidade" e naquele instante todo aquele blá blá blá do cursinho pré bariátrico fez sentido. Eu havia engordado 300 gramas em 3 dias. "Mas como? Eu estou só no primeiro mês de cirurgia, era para estar perdendo peso muito rapidamente. Nem comecei a comer sólidos ainda. Como pode acontecer?" Essas seriam as minhas dúvidas caso eu não soubesse onde eu havia errado. Mas eu sabia. Lembra da história de flexibilizar as regras? Pois então, leitor, leve isso como um conselho de "o que NÃO fazer nas primeiras semanas depois da cirurgia". Flexibilizar pelo menos um pouquinho abriu um precendente para que exageros maiores e imperdoáveis fossem cometidos. No fim de semana fui ao Shopping com minha família e me permiti pedir um prato de coalhada do Habib´s. É claro que não comi tudo sozinho, mas sem dúvida alguma comi muito mais do que os 30 ml sugeridos pela nutricionista. Além disso, durante todo o fim de semana, acabei exagerando em outras refeições. Comi bastante purê de batata e de mandioca, carboidrato puro. Em resumo, me permiti certos exageros que culminaram em uma cara de tacho olhando para os números "145,3" na balança da farmácia.
Naquele momento me dei conta de que realmente a cirurgia não faz milagre algum. Que a mudança de hábitos vai requerer muito esforço SIM. Que não será nada fácil nem natural conseguir adquirir os hábitos necessários para viver essa nova vida. E, por fim, que só depende de mim fazer com que eu possa desfrutar do que venho chamando de minha "nova vida" da melhor maneira possível.
Aí alguém poderia perguntar: "Se é necessária essa mudança de hábitos e uma reeducação alimentar, por que não fazê-los sem precisar fazer a cirurgia?"
De fato, é sim possível e muito mais indicado que essa mudança seja feita sem a necessidade de cirurgia. Mas diga isso para uma gordinho que conviveu durante muitos anos com esses excessos e que certamente pelo menos uma, duas ou dezenas de vezes já esteve diante da tentativa de fazer essa reeducação, mas no máximo conseguiu perder alguns quilinhos que logo foram achados com facilidade. Muita gente consegue com sucesso essa mudança e essas pessoas devem ser aplaudidas de pé pela força de vontade e pela garra. Infelizmente, para grande parte dos gordinhos isso é praticamente impossível, por diferentes razões e motivos.
A cirurgia, ao meu ver, faz com que o indivíduo seja forçado a se reeducar. Sim, de uma maneira radical, através de uma mutilação, mas a reeducação se faz necessária para que a pessoa possa ter uma boa qualidade de vida. Em nenhum momento dizem que isso é fácil, aliás, como foi dito no início do texto, todo mundo ENCHE O SACO dizendo o quanto isso é difícil. Mas a gente prefere acreditar que na hora tudo vai dar certo. É ai, que vem o "choque de realidade" por que passei. Contudo, sou grato aos "chatos" que ficaram repetindo isso insistentemente antes da cirurgia, porque de alguma maneira essa informação estava internalizada em mim, e quando eu precisei usá-la, entendi instantaneamente o que eles queriam dizer. Entender isso também não tornará mais fácil essa mudança, mas me deixa muito mais preparado. Essa foi a minha escolha. Eu estava ciente das dificuldades, embora ainda não consciente. Daqui pra frente, espero que ter olhado aqueles números "145,3" tenha me dado um pouco dessa consciência. Do resto, vou deixar os dias passarem e vou aprendendo conforme vou caminhando. Passo a passo.

Até breve.

Léo Castro

sábado, 1 de maio de 2010

Fisgando a Bela Loira

Já que o assunto aqui é a obesidade e as gordices inerentes à nossa volumosa vida, resolvi repostar um texto que escrevi para a Feira Livre de Pensamentos ano passado e que teve grande repercussão. Muita gente já leu, mas espero que meus novos leitores aqui no Gastroplastizado se divirtam. Clique aqui para ver a postagem original da Feira.

Rolou um post no Jacaré Banguela, dizendo que a Josy Oliveira, ex-BBB, a bela moça da foto ao lado estaria pedindo: "Gordinhos que me admiram, mandem e-mail". Logo, fiquei com uma pulguinha atrás da minha orelha fofinha e comecei a escrever alguma coisa. Pra quem nunca ganhou nada na vida, em sorteio ou promoção, quem sabe consigo fisgar a loira usando a minha persuasão. Mas no final acabei gostando do texto e resolvi compartilhar com a Feira.

Lá vai o texto, enviado por e-mail para o site Meia Hora do Terra.


Para Josy Oliveira... com amor (e um pouco de sinceridade)

Apesar de achar essa situação ridícula, resolvi escrever esse e-mail. Não que eu queira "concorrer" ao coração da bela Josy Oliveira, muito menos me sujeitaria a qualquer tipo de concorrência sensacionalista que vemos em reality shows de casais por aí. Ser mais um gordinho disputando o coração da bela moça, sujeitando-se a provas sem sentido, muitas vezes com o intuito de humilhá-los em rede nacional. Não quero isso. Aliás acredito que esse e-mail nunca chegará às mãos da bela senhorita.
Escrevo porque sempre admirei a moça. Sim, claro, parece conveniente dizer que sempre gostei da moça (E o cara ainda diz que não quer concorrer ao coração da bela?). Mas é verdade. Forçosamente sempre assisti aos pay-per-view do Big Brother Brasil, uma vez que minha mãe talvez seja a fã número 2 do programa, depois do Pedro Bial (esse faz o que gosta, e faz muito bem). E ao longo dos programas, é possível sim, construir uma afeição pelos participantes. E a bela moça em questão sempre me atraiu. Não pelo gosto declarado por gordinhos, que às vezes beirava à bizarrice pelo maneira que ela ficava alucinada quando via um fofinho (bizarro, mas excitante, quando se é um gordinho). Mas sim, pelas atitudes e pelo caráter demonstrados durante sua "atuação" no BBB. A apunhalada do Go Go Boy, as fofoquinhas e cutucadas das concorrentes a gostosa da edição, o amor pela família, a competência e talento profissional como cantora, a raça nas provas de resistência, e muito mais. Fatos e atitudes que construiram a Josy do BBB. Talvez não seja a transcrição do que é a Josy da vida real. Afinal, o que são 3 meses perto de uma vida inteira? Mas era a essência da bela moça. Nua e crua (aliás, linda quando nua, mesmo com os exagerados miligramas que causaram um inchaço que dava até dó da pobre).
Infelizmente, alguns meses se passaram e o talento da moça como cantora ainda não se despontou. Ó cruel mercado da música! Ainda mais quando se sai de um reality show. Nesse caso, ou faz sucesso, ou é grande candidata à sombra da TV sensacionalista de massa (tipo apresentadora de GameShow ou programa de fofoca). Pobre destino. Mas talento ela tem, e se for inteligente pode se aproveitar dele e consolidar sua carreira como cantora e musicista, desde que não apele para as mídias de massa e para formatos já manjados de exploração de sua imagem e de seu belo corpinho.
Enfim, escrevo por que não tenho nada a perder. Não faço papel de idiota me declarando e dizendo que sou o homem da vida dela, mas dou uma chance à bela moça de conhecer um cara legal (e modesto rsrs). Dados de quem sou, o que faço, o que gosto de fazer? Aí fica pra uma próxima. Com a Internet e suas redes sociais, dá pra saber o que quiser da minha vida (ou o que EU quiser que saibam), basta perguntar ao Google ou me seguir no Twitter, ou me adicionar no Orkut, ou no Facebook, ou no Flickr, ou no MySpace, etc. Ah tem o msn, esse sim eu posso divulgar, afinal pode ser uma maneira interessante pra trocar uma idéia com a bela guria de cabelos dourados e corpo voluptuoso que adora homens de corpos volumosos como o meu. Então lá vai: leocastroreis@hotmail.com

Muito obrigado, Senhores do Meia Hora. Valeu pela chance de ser um gordinho invejado enquanto passeia no shopping com uma bela loira a tiracolo.

Abraço.

Leonardo Castro dos Reis

O texto teve uma repercussão bem bacana, chegando até a própria Josy Oliveira, que deixou esse comentário no post:

Querido Leo,

Acabei de ler sua mensagem e adorei! Nem sei como agradecer se carinho e admiração! Saiba que infelizmente as matérias relacionadas à minha afeição pelas pessoas e todos os "seres" gordinhos tenham sido apresentadas de forma indevida. Sempre deixei claro que tenho um carinho especial e intenso por todas as pessoas gordinhas, sejam elas homens, mulheres, crianças, animais e até objetos. É algo tão forte que chego a ter um acesso de taquicardia quando vejo alguém acima do peso. Muitas pessoas pensam que sinto uma atração física descontrolada por homens gordos, quando na verdade, o homem que me atrai é aquele que mexe com meu coraçãozinho, independente de seu peso, altura, cor ou raça!
Agardeço de coração pelas suas palavras sinceras, ou pouco sinceras (risos) e desde já demonstro meu desejo de te ver um dia em um show meu!

Um beijo carinhoso, paz e sucesso pra ti, sempre!

Josy Oliveira 

Conferindo a Balança [3]

Dia 30 de Abril de 2010 - Trê semanas após a Gastroplastia
Peso: 145,0 kg
Perda: 17,0 kg
IMC: 47

quinta-feira, 29 de abril de 2010

Crianças gordas e suas gordices infantis nem sempre tão inocentes.

"Só pra avisar ao leitor, decidi que a dinâmica desse blog será a publicação de crônicas, portanto não se assustem com os longos textos. Mas garanto que todos as crônicas terão relação com a obesidade e com a minha convivência com essa "deficiência física ou excesso delas", como algum dia alguém me falou na tentativa de eufemizar o termo obesidade. rsrs. Mas ainda continuarei dando algumas dicas e publicando o meu acompanhamento médico e de perda de peso. É isso. Fiquem com esse texto que eu, particularmente, achei muito bom. Hey, modestia."   


    Sempre fui obeso, desde criança. Apesar de ter sido uma criança ativa e até certo ponto ágil, a obesidade me atrapalhava em diversos aspectos:  físicos, mas principalmente sociais. Minha turminha da escolinha nunca era a mais popular, mas eu tinha muitos amiguinhos e transitava entre todas as turmas. Apesar disso eu tinha uma timidez latente que se externava sempre que a obesidade se tornava algum tipo de empecilho social. Pra exemplificar, quando tentava me enturmar e alguma criança de cara já ressaltava minha volumosa característica mais marcante, já era. Eu travava.
Mas mesmo assim, não era uma criança impopular. Transitava entre diversos grupos, respeitava e tinha o respeito da maioria, a não ser de alguns babacas que parecem que nasceram idiotas e morrerão idiotas, os carinhas que só sabiam fazer os outros rirem as custas dos defeitos dos outros. Você já deve ter conhecido alguém assim. Mas eu até levava na esportiva essas coisas, mas no fundo aquilo me incomodava e me afundava em minha fossa gordurosa de defeitos e incompetências. Talvez fosse o princípio de um depressão infantil. Mas não tenho conhecimento pra discutir isso agora.
    Fato é que minha "semipopularidade" era adquirida ao longo do tempo pelo respeito dos meus coleguinhas. Tinha bons amigos, me dava bem com todos (a não ser os babacas citados acima), participava das brincadeiras, fazia umas piadinhas até bacanas, tinha a confiança das professoras, fui até orador da minha formatura do pré-primário. Enfim, eu era respeitado por minha personalidade e não pelo meu carisma.
    Claro que fazia minhas artes, muitas vezes para poder impressionar os coleguinhas, algumas até meio barra pesada como partir pra cima de uma professora de quase 60 anos quando ela me disse a frase "Você não vale o quanto pesa" e ser segurado pela classe inteira pra não dar na cara dela. Me arrependo desse fato, mas não estava completamente errado. Ó, lendária Dona Hortência, professora de Geografia da EE Bruno Pieroni. Rolava um boato que ela era virgem e que era apaixonada pelo autor do livro de Geografia Melhem Adas. Ah! E tinha o inesquecível bordão: "Que dê tcheu pai?"
    Já participei até de um trote dizendo que havia uma bomba na escola - isso já no segundo colegial - detalhe, isso foi apenas algumas semanas depois do atentado de 11 de Setembro de 2001 contra o WTC, quando o mundo vivia uma forte tensão anti-terrorismo. Que trote infeliz. E o pior é que eu só dei a idéia e emprestei o celular da minha mãe - coisa rara na época - quem executou foram outros dois amigos e um deles ainda se safou. Eu fui suspenso e por muito pouco não fui expulso.
    Nessa escola do Ensino Médio em Sertãozinho, chamada Quarup, eu entrei classificado em 1° lugar no vestibulinho e ganhei uma bolsa de 60% de desconto. Vindo de escola pública, foi uma grande conquista e um ótima oportunidade de fazer um bom Ensino Médio em uma escola particular e me preparar para o vestiular, ainda em uma das escolas mais conceituadas da cidade. Se não fosse por essa bolsa eu teria continuado na escola pública. Mas então, esses 60% de desconto do primeiro ano, viraram 40% no segundo e 20% no terceiro. E não foi por causa do meu desempenho escolar, que não era o top dos tops, mas tinha notas regulares e nenhuma nota vermelha. Foi por causa da minha... digamos... indisciplina. Não que eu fosse um capeta, daqueles babacas do mal que eu disse antes, mas eu adorava causar, fazer piadinhas nas horas erradas, dormir na sala de vez em quando, incitar a bagunça durante as provas, soltar uns puns, passar tinta de caneta no apagador pro professor fazer uma lambaça na lousa quando fosse usar, ter ataques de risos com outros amigos durante uma aula, passar trote dizendo que havia uma bomba no banheiro, entre outras gordices. Os projetinhos de marmanjos se rachavam de rir, já as meninas, acho que me odeiam até hoje. Mas ainda assim eu era respeitado, fui até eleito representante de classe uma vez, mas tive que renunciar porque a minha antecessora chorou quando perdeu o cargo. Coitadinha. Mas também, esse negócio de política não é comigo.
    Foram anos em que fiz amigos que me acompanham até hoje e nos quais vivi momentos inesquecíveis e também alguns que eu gostaria de esquecer. Mas apesar da bagunça, como disse, minhas notas eram boas, não as melhores, mas eram suficientes para passar pois tinham a respeitada cor AZUL. E ainda assim, alguns professores me adoravam, emboram alguns poucos me odiassem. E eu me sentia nas nuvens quando algumas vezes meus trabalhos eram elogiados, principalmente os de Artes, Português e Redação. O Toninho, "bigode amarelo" (cá entre nós), professor de Redação, não era o meu fã número 1, as vezes me dava umas tiradas que eu ficava até tonto, mas quando fazia uma boa redação ele chegava perto de mim e com um tom meio irônico fingindo estar contrariado e desconfiado e perguntava: "Foi você mesmo quem fez isso?". Eu respondia que sim, ele mudava aquela feição meio amendrontadora e me dava os parabéns. Uma vez até ficou de publicar um dos meus textos no jornal local, mas eu nunca soube o que virou.
    No 3° Colegial formamos até a turma do Quarandirup, Bloco 2, Cela B, uma paródia do Presídio do Carandiru. Isso porque o bloco B, onde estudávamos era muito fechado e quente, não entrava sequer um raio de luz do sol. Nós do fundão assinávamos todas as redações assim, até o time da sala foi nomeado Quarandirup e foi campeão do Interclasses em 2002 - jogou a final contra o time do Juca, meu irmão, que ficou puto porque torci pro time da minha sala ao invés do time dele. O Toninho ficava bravo, mas no fundo ele achou muito legal a sacada do Quarandirup.
    Bom, chega de me auto-promover. Nessa mesma época, enquanto via meus amigos iniciando suas vidas amorosas e sexuais, eu não passava de um gordinho inteligente e as vezes engraçado. Até tinha amigas mulheres, mas do ponto de vista de um relacionamento afetivo sempre as via como objetivos inalcançáveis e nem tentava um approach mais incisivo. Até forcei uma vez me apaixonar por uma menina da sala, mas fiz isso só pra ver se vencia ela através da resistência. Eu me declarava para ela só pelo ICQ, dizia coisas tão românticas que até eu me impressionava, mas dentro da sala a gente mal cruzava olhares e quando trocávamos algumas palavras nunca era sobre o meu amor platônico. Era ridícula essa situação. E o engraçado é que depois de um tempo ela viveu um amor platônico pelo meu irmão. E anos depois pelo meu melhor amigo. Rárá. Coisas do destino.
    Querem um segredo? Já que estou escancarando tudo nesse blog, vou dizer: eu nunca havia beijado uma menina até então - menino também não viu, pra quem ainda não sabe da minha opção, eu sou heterosexual assumido efetivado tardiamente. Era BV (Boca Virgem). Era tímido PRACARALHOOO quando o assunto era mulher, apesar de demonstrar que era um cara super descolado. My first kiss rolou com 18 anos. - Ai que vergonha de admitir isso! Vergonha por que nesse aspecto eu era um tanto mentiroso, contava pros meus amigos, primos e meu irmão que era o maior pegador. Mas que nada, era um prego. Não acredito que estou revelando esse segredo, mas estou até curtindo esse "descarrego" - O nome da menina, não vou dizer para preservá-la, afinal de contas ela é uma pessoa pública e muito famosa. MENTIRA!!! Rárá. Bem, quem me conhece pode deduzir quem é.
    Mas o menino cresceu fisicamente (pra cima e para os lados, muito mais para os lados) e mentalmente, passou na faculdade, aprendeu muita coisa com a vida e.... bem, isso eu conto depois porque esse texto já tá grande pra cacete.

   Até mais, pessoal. Continuem lendo e comentem se gostarem. Se não gostarem também.



Léo Castro

Resposta a um comentário

O amigo Lucas, que participou comigo do curso preparatório pré cirurgia bariátrica no SEMPRE da Unimed deixou um comentário com algumas perguntas no último post. Achei que vale apena colocar como postagem para poder esclarecer algumas coisas ao leitores.
Lucas disse...
E, ai... Léo...!!!! Faltam 11 dias para a minha cirurgia... O que voce fez para matar a ansiedade...rs Olha, voce já esta passando a fase inicial... tente seguir, pois lendo seus relatos "eu" fico pensando como irei me comportar, já que também vivo alterando as "regras"... Já havia pensado em programar o celular e, lendo o que voce fez comecei a rir... Vou lutanto aqui nem sei se é para o tempo passar logo ou para demorar... Estou torcendo por voce... abs Lucas

Resposta: 
Pois é, Lucas. Como eu disse, não estou extrapolando, apenas não estou mais seguindo religiosamente o horário de acordo com o relógio e quantidade de acordo com a seringa. Estou fazendo mais de acordo com meu bom senso e mantenho uma frequencia de ingestão de líquidos e alimentos de duas a três vezes por hora. Te juro, nao é facil ficar ouvindo seu celular tocar de 20 em 20 minutos e ter que medir a quantidade com uma seringa ou copinho de plastico. No início, o toquezinho que eu coloquei era até engraçadinho: "Hora de Comeeeer", mas depois foi me enchendo e eu acabei abandonando aos poucos. Digamos que tenho usado um metodo mais empirico..rsrsrs 
 
Quanto a ansiedade, tive bastante, mas não tinha nenhum tipo de medo ou receio, queria que a cirurgia rolasse o mais rapido possivel. Mas o que eu fiz foi esperar. Quando vi já estava operado. E hoje nem parece que já se passaram 20 dias. Passa muito rápido, principalmente porque você sente a evolução diariamente. Dia após dia você se sente diferente. As dores vao diminuindo, seus movimentos vao ficando mais faceis e além disso, a perda de peso da uma boa animada. 
 
O espelho acaba sendo um grande companheiro. Mas procuro não me pesar muitas vezes na semana, porque senão temos a falsa sensação de que estamos perdendo pouco peso. Tenho me pesado apenas uma vez por semana, sempre no mesmo local. 
 
É isso.. Boa sorte pra ti, Lucas.. 
continue dando notícias. 
 
Abraço  
 
Léo Castro