quinta-feira, 29 de abril de 2010

Crianças gordas e suas gordices infantis nem sempre tão inocentes.

"Só pra avisar ao leitor, decidi que a dinâmica desse blog será a publicação de crônicas, portanto não se assustem com os longos textos. Mas garanto que todos as crônicas terão relação com a obesidade e com a minha convivência com essa "deficiência física ou excesso delas", como algum dia alguém me falou na tentativa de eufemizar o termo obesidade. rsrs. Mas ainda continuarei dando algumas dicas e publicando o meu acompanhamento médico e de perda de peso. É isso. Fiquem com esse texto que eu, particularmente, achei muito bom. Hey, modestia."   


    Sempre fui obeso, desde criança. Apesar de ter sido uma criança ativa e até certo ponto ágil, a obesidade me atrapalhava em diversos aspectos:  físicos, mas principalmente sociais. Minha turminha da escolinha nunca era a mais popular, mas eu tinha muitos amiguinhos e transitava entre todas as turmas. Apesar disso eu tinha uma timidez latente que se externava sempre que a obesidade se tornava algum tipo de empecilho social. Pra exemplificar, quando tentava me enturmar e alguma criança de cara já ressaltava minha volumosa característica mais marcante, já era. Eu travava.
Mas mesmo assim, não era uma criança impopular. Transitava entre diversos grupos, respeitava e tinha o respeito da maioria, a não ser de alguns babacas que parecem que nasceram idiotas e morrerão idiotas, os carinhas que só sabiam fazer os outros rirem as custas dos defeitos dos outros. Você já deve ter conhecido alguém assim. Mas eu até levava na esportiva essas coisas, mas no fundo aquilo me incomodava e me afundava em minha fossa gordurosa de defeitos e incompetências. Talvez fosse o princípio de um depressão infantil. Mas não tenho conhecimento pra discutir isso agora.
    Fato é que minha "semipopularidade" era adquirida ao longo do tempo pelo respeito dos meus coleguinhas. Tinha bons amigos, me dava bem com todos (a não ser os babacas citados acima), participava das brincadeiras, fazia umas piadinhas até bacanas, tinha a confiança das professoras, fui até orador da minha formatura do pré-primário. Enfim, eu era respeitado por minha personalidade e não pelo meu carisma.
    Claro que fazia minhas artes, muitas vezes para poder impressionar os coleguinhas, algumas até meio barra pesada como partir pra cima de uma professora de quase 60 anos quando ela me disse a frase "Você não vale o quanto pesa" e ser segurado pela classe inteira pra não dar na cara dela. Me arrependo desse fato, mas não estava completamente errado. Ó, lendária Dona Hortência, professora de Geografia da EE Bruno Pieroni. Rolava um boato que ela era virgem e que era apaixonada pelo autor do livro de Geografia Melhem Adas. Ah! E tinha o inesquecível bordão: "Que dê tcheu pai?"
    Já participei até de um trote dizendo que havia uma bomba na escola - isso já no segundo colegial - detalhe, isso foi apenas algumas semanas depois do atentado de 11 de Setembro de 2001 contra o WTC, quando o mundo vivia uma forte tensão anti-terrorismo. Que trote infeliz. E o pior é que eu só dei a idéia e emprestei o celular da minha mãe - coisa rara na época - quem executou foram outros dois amigos e um deles ainda se safou. Eu fui suspenso e por muito pouco não fui expulso.
    Nessa escola do Ensino Médio em Sertãozinho, chamada Quarup, eu entrei classificado em 1° lugar no vestibulinho e ganhei uma bolsa de 60% de desconto. Vindo de escola pública, foi uma grande conquista e um ótima oportunidade de fazer um bom Ensino Médio em uma escola particular e me preparar para o vestiular, ainda em uma das escolas mais conceituadas da cidade. Se não fosse por essa bolsa eu teria continuado na escola pública. Mas então, esses 60% de desconto do primeiro ano, viraram 40% no segundo e 20% no terceiro. E não foi por causa do meu desempenho escolar, que não era o top dos tops, mas tinha notas regulares e nenhuma nota vermelha. Foi por causa da minha... digamos... indisciplina. Não que eu fosse um capeta, daqueles babacas do mal que eu disse antes, mas eu adorava causar, fazer piadinhas nas horas erradas, dormir na sala de vez em quando, incitar a bagunça durante as provas, soltar uns puns, passar tinta de caneta no apagador pro professor fazer uma lambaça na lousa quando fosse usar, ter ataques de risos com outros amigos durante uma aula, passar trote dizendo que havia uma bomba no banheiro, entre outras gordices. Os projetinhos de marmanjos se rachavam de rir, já as meninas, acho que me odeiam até hoje. Mas ainda assim eu era respeitado, fui até eleito representante de classe uma vez, mas tive que renunciar porque a minha antecessora chorou quando perdeu o cargo. Coitadinha. Mas também, esse negócio de política não é comigo.
    Foram anos em que fiz amigos que me acompanham até hoje e nos quais vivi momentos inesquecíveis e também alguns que eu gostaria de esquecer. Mas apesar da bagunça, como disse, minhas notas eram boas, não as melhores, mas eram suficientes para passar pois tinham a respeitada cor AZUL. E ainda assim, alguns professores me adoravam, emboram alguns poucos me odiassem. E eu me sentia nas nuvens quando algumas vezes meus trabalhos eram elogiados, principalmente os de Artes, Português e Redação. O Toninho, "bigode amarelo" (cá entre nós), professor de Redação, não era o meu fã número 1, as vezes me dava umas tiradas que eu ficava até tonto, mas quando fazia uma boa redação ele chegava perto de mim e com um tom meio irônico fingindo estar contrariado e desconfiado e perguntava: "Foi você mesmo quem fez isso?". Eu respondia que sim, ele mudava aquela feição meio amendrontadora e me dava os parabéns. Uma vez até ficou de publicar um dos meus textos no jornal local, mas eu nunca soube o que virou.
    No 3° Colegial formamos até a turma do Quarandirup, Bloco 2, Cela B, uma paródia do Presídio do Carandiru. Isso porque o bloco B, onde estudávamos era muito fechado e quente, não entrava sequer um raio de luz do sol. Nós do fundão assinávamos todas as redações assim, até o time da sala foi nomeado Quarandirup e foi campeão do Interclasses em 2002 - jogou a final contra o time do Juca, meu irmão, que ficou puto porque torci pro time da minha sala ao invés do time dele. O Toninho ficava bravo, mas no fundo ele achou muito legal a sacada do Quarandirup.
    Bom, chega de me auto-promover. Nessa mesma época, enquanto via meus amigos iniciando suas vidas amorosas e sexuais, eu não passava de um gordinho inteligente e as vezes engraçado. Até tinha amigas mulheres, mas do ponto de vista de um relacionamento afetivo sempre as via como objetivos inalcançáveis e nem tentava um approach mais incisivo. Até forcei uma vez me apaixonar por uma menina da sala, mas fiz isso só pra ver se vencia ela através da resistência. Eu me declarava para ela só pelo ICQ, dizia coisas tão românticas que até eu me impressionava, mas dentro da sala a gente mal cruzava olhares e quando trocávamos algumas palavras nunca era sobre o meu amor platônico. Era ridícula essa situação. E o engraçado é que depois de um tempo ela viveu um amor platônico pelo meu irmão. E anos depois pelo meu melhor amigo. Rárá. Coisas do destino.
    Querem um segredo? Já que estou escancarando tudo nesse blog, vou dizer: eu nunca havia beijado uma menina até então - menino também não viu, pra quem ainda não sabe da minha opção, eu sou heterosexual assumido efetivado tardiamente. Era BV (Boca Virgem). Era tímido PRACARALHOOO quando o assunto era mulher, apesar de demonstrar que era um cara super descolado. My first kiss rolou com 18 anos. - Ai que vergonha de admitir isso! Vergonha por que nesse aspecto eu era um tanto mentiroso, contava pros meus amigos, primos e meu irmão que era o maior pegador. Mas que nada, era um prego. Não acredito que estou revelando esse segredo, mas estou até curtindo esse "descarrego" - O nome da menina, não vou dizer para preservá-la, afinal de contas ela é uma pessoa pública e muito famosa. MENTIRA!!! Rárá. Bem, quem me conhece pode deduzir quem é.
    Mas o menino cresceu fisicamente (pra cima e para os lados, muito mais para os lados) e mentalmente, passou na faculdade, aprendeu muita coisa com a vida e.... bem, isso eu conto depois porque esse texto já tá grande pra cacete.

   Até mais, pessoal. Continuem lendo e comentem se gostarem. Se não gostarem também.



Léo Castro

Resposta a um comentário

O amigo Lucas, que participou comigo do curso preparatório pré cirurgia bariátrica no SEMPRE da Unimed deixou um comentário com algumas perguntas no último post. Achei que vale apena colocar como postagem para poder esclarecer algumas coisas ao leitores.
Lucas disse...
E, ai... Léo...!!!! Faltam 11 dias para a minha cirurgia... O que voce fez para matar a ansiedade...rs Olha, voce já esta passando a fase inicial... tente seguir, pois lendo seus relatos "eu" fico pensando como irei me comportar, já que também vivo alterando as "regras"... Já havia pensado em programar o celular e, lendo o que voce fez comecei a rir... Vou lutanto aqui nem sei se é para o tempo passar logo ou para demorar... Estou torcendo por voce... abs Lucas

Resposta: 
Pois é, Lucas. Como eu disse, não estou extrapolando, apenas não estou mais seguindo religiosamente o horário de acordo com o relógio e quantidade de acordo com a seringa. Estou fazendo mais de acordo com meu bom senso e mantenho uma frequencia de ingestão de líquidos e alimentos de duas a três vezes por hora. Te juro, nao é facil ficar ouvindo seu celular tocar de 20 em 20 minutos e ter que medir a quantidade com uma seringa ou copinho de plastico. No início, o toquezinho que eu coloquei era até engraçadinho: "Hora de Comeeeer", mas depois foi me enchendo e eu acabei abandonando aos poucos. Digamos que tenho usado um metodo mais empirico..rsrsrs 
 
Quanto a ansiedade, tive bastante, mas não tinha nenhum tipo de medo ou receio, queria que a cirurgia rolasse o mais rapido possivel. Mas o que eu fiz foi esperar. Quando vi já estava operado. E hoje nem parece que já se passaram 20 dias. Passa muito rápido, principalmente porque você sente a evolução diariamente. Dia após dia você se sente diferente. As dores vao diminuindo, seus movimentos vao ficando mais faceis e além disso, a perda de peso da uma boa animada. 
 
O espelho acaba sendo um grande companheiro. Mas procuro não me pesar muitas vezes na semana, porque senão temos a falsa sensação de que estamos perdendo pouco peso. Tenho me pesado apenas uma vez por semana, sempre no mesmo local. 
 
É isso.. Boa sorte pra ti, Lucas.. 
continue dando notícias. 
 
Abraço  
 
Léo Castro

segunda-feira, 26 de abril de 2010

Resumo da Segunda Semana - "Flexibilizando as Regras"

Regras existem para serem seguidas. E assim deve ser, ainda mais quando se trata da sua saúde. Mas no meu caso, eu sempre fui meio avesso a regras, mais por preguiça e indisciplina do que por questões ideológicas. Dessa vez não foi diferente. A regra dos 20 ml a cada 20 minutos que deveria durar até o fim da segunda semana, quando se tornaria 25ml a cada 20 minutos, de certa forma foi pulverizada. Na primeira semana colocava meu celular para despertar a cada 20 minutos, até coloquei um toquezinho bacana com minha voz gritando: "Hora de comeeeer", e sempre que tocava eu me alimentava na quantidade certa. Nessa segunda semana fui menos disciplinado. Não que eu tenha extrapolado a quantidade, apenas tenho controlado meus horários e a quantidade de acordo com meu "achômetro". Acredito que não esteja fazendo algo muito grave, pois não tenho exagerado nas quantidades e continuo me alimentando com uma boa frequência, só que sem medir no copinho e contar no relógio.

Quanto aos exercícios fisioterápicos, aos poucos fui abandonando. Entrei em contato com a Unimed para participar do atendimento domiciliar, mas devido a uma informação mal interpretada, acabei descobrindo que não posso porticipar desse programa. Por fim, acabei não procurando a nutricionista nem a fisioterapeuta. Pretendo agora, no decorrer da Dieta Pastosa, procurar o atendimento da nutricionista pra me orientar na transferência e adapatação para a Dieta Sólida, que deve vir daqui a duas semanas.

Fome? Não tenho passado. Vontade? Tenho sim, e muita. Quando vejo minha família comendo coisas muito gostosas procuro sair da mesa. Mas essa vontade não tem sido incontrolável. No entanto, já fiz algo que deve ser considerado um erro grave pelos médicos. Quando senti muita vontade, mastiguei um pedaço do alimento e joguei fora. Me policiei para não engolir nada e acho que não engoli, mas tenho certeza que essa prática deve ser altissimamente não recomendada. Mas como já disse, não costumo seguir a risca certas recomendações. Pelo menos até agora não passei mal nenhuma vez. Não tive náuseas nem dor no estômago.

No início da Dieta Pastosa estou me sentindo melhor com a alimentação. Minha mãe tem preparado sopas batidas bem variadas. Uma coisa que estou adorando comer, mas tenho comido pouco por ser um pouco calórico é a coalhada. Pego duas colheres e meia de sopa (provavelmente mais do que 25ml) coloco em um potinho de gelatina e tempero com azeite e sal. Fica uma delícia. As sopas batidas ainda sinto um certo "nojo" antes de comer, mas é só na primeira colherada.

Exercícios Físicos, embora não tenha mantido uma regularidade, não tenho negligenciado. Tenho caminhado distâncias curtas pelo menos três vezes na semana. Mas sei que posso fazer mais e melhor.

Bem, é isso por enquanto.

Volto com mais novidades.

Léo Castro

sábado, 24 de abril de 2010

Conferindo a Balança [2]

Dia 23 de Abril de 2010 - Duas semanas após a Gastroplastia
Peso: 147,7 kg
Perda: 14,3 kg
IMC: 48
Essa semana a perda não ficou tão aparente nas fotos, mas pude sentir a diferença nas partes inferiores do corpo e no rosto. A perda de peso foi um pouco menor que a da primeira semana, mas ainda assim continua em um taxa muito boa, quase 1 kg por dia desde a cirurgia. 


segunda-feira, 19 de abril de 2010

É porque a gente pensa...

Estou muito feliz pelo retorno que estou recebendo de leitores do blog. Alguns deixando comentários aqui mesmo, outros falando pessoalmente ou por orkut, twitter, messenger. Muito obrigado a todos pelas visitas, sinto-me extremamente lisonjeado.
O blog Gastroplatizado tem uma função de utilidade, ou seja, informar pessoas sobre a gastroplastia através da minha experiência. Mas, além disso, esse blog está servindo para me aproximar das pessoas que eu gosto, e mantê-las informadas de como está indo minha recuperação. Muito obrigado a todos que estão acompanhando.

Nunca fui um cara muito popular, mas sempre tive grandes amigos. Naturalmente a obesidade nos leva a esconder algumas de nossas faces. A medida que as pessoas me conhecem melhor, esssas faces vão se mostrando e, por fim, se essas pessoas ainda continuam do meu lado é porque essas faces ocultas tem algo de bom para mostrar.
Pela primeira vez, estou me expondo completamente. Sem medo nem receio algum. De certa forma, essa atitude faz parte de alguns novos princípios que resolvi adotar para essa minha "nova vida" que nasceu há pouco mais de uma semana. Quem me conhece sabe que dificilmente eu tirava a camisa perto das pessoas, até mesmo das mais chegadas, pois tinha muita vergonha do meu corpo. Nesse blog, a primeira imagem, lá embaixo, é uma foto minha sem camisa, de cara limpa, sem a barba e o cabelo compridos que um dia me esconderam do mundo. Isso faz parte de uma grande mudança psicológica que se iniciou automaticamente quando escolhi e aceitei passar por uma grande mudança física. Uma mutilação em minhas visceras que incendiou o pavio de uma nova postura mental.
Estou mais do que preparado para toda mudança que possa ocorrer daqui pra frente. Sinto-me muito mais forte nesse momento, mas ao mesmo tempo, tenho meus pés fincados no chão. Faço isso para me proteger de mim mesmo. Do meu excesso de auto-confiança. Pois, a mesma auto-confiança que me faz alcançar qualquer objetivo que eu trace em minha vida, quando em excesso pode me derrubar de uma altura elevada, como já aconteceu algumas vezes. Quando isso ocorre, minha auto-confiança se transforma em auto-piedade e culpa, o que me leva a momentos de profunda depressão.
O que me faz afirmar hoje que estou preparado, é o fato de ter aprendido com essa montanha russa de conquistas e fracassos que foi minha vida. Sei que tudo o que conquistei foi por mérito e capacidade meus. O mesmo para meus fracassos. Se fracassei, foi sim por culpa minha, por não saber dosar meu envolvimento com alguns compromissos, por me doar demais, ou de menos, por não primar pelo equilíbrio e pela sobriedade em momentos em que me embriagava de empolgação e euforia.
Quem me conhece bem deve ter entendido o que quis dizer logo na primeira leitura. Quem me conhece um pouco menos, fica sabendo agora que eu sou isso aqui:
Um ser que pulsa forte. Uma soma de muitos talentos e medos, multiplicados por conquistas que são divididas por todos, de onde subtraem-se somente as coisas que não valem a pena.

Até a próxima.

Léo Castro

sábado, 17 de abril de 2010

Resumo da Primeira Semana - "20ml a cada 20min"

Termino a primeira semana Gastroplastizado com um ótima perda de 9,9 kg. Estou muito feliz com o resultado e com a evolução.




 

 
A Dieta Líquida, recomendada para os primeiros 15 dias pela nutricionista quando sai do Hospital esta descrita abaixo.


Consumir os seguintes líquidos em porções de 20 ml a cada 20 minutos:
 
  • Água, água de coco e chás (não consumir chá mate, chá preto, café ou leite de vaca)
  • Sucos de variadas frutas bem coados
  • Caldos salgados bem coados (refoga-se a carne e junta-se a água e os legumes deixa ferver bem até cozinhar e depois coa-se tudo)
  • Gelatina Diet

Tenho seguido corretamente os horários e as proporções. Em alguns momentos acabo bebendo um pouco mais de 20 ml por descuido, mas não passei mal nenhuma vez por esse motivo.
Fraciono tudo em copinhos plásticos de café (pouco menos de meio copo).
Tenho bebido muitos sucos naturais variados (morango com laranja, melão, manga, abacaxi, etc), água de côco e gelatina. Além disso, alterno essas bebidas com água muitas vezes. Embora não sinta muita sede, sinto falta de dar uma boa "golada" num copo de água gelada. Eu era acostumado a tomar um litro de água de uma só vez.
Não me adapatei ao caldo salgado e por enquanto não estou tomando. Experimentei duas vezes, mas fiquei com certo "nojo". Mesmo sendo feito com óleo de canola em poquíssima quantidade não achei muito agradável tomá-lo. Vamos ver o que a nutricionista vai dizer sobre isso semana que vem.
Não sinto fome e nos primeiros dias não sentia nem vontade de comer coisas gostosas que via meus pais ou meu irmão comerem. Nos últimos dias tenho evitado de olhar eles consumindo as coisas que eu adoro comer como, por exemplo, salgados, frios e carnes.

Fora do tópico Alimentação, tenho feito alguns exercícios pulmonares e usado o Respiron (foto), mas confesso que não estou muito disciplinado. Um dia na semana sai para caminhar, andei cerca de 4 quarteirões bem lentamente, descansando no meio do caminho. Pretendo aumentar a frequência das caminhadas nas próximas semanas.

Segunda-feira o SEMPRE da Unimed ficou de entrar em contato comigo para agendar as visitas domiciliares da fisioterapeuta e nutricionista. Será um acompanhamento importante nas próximas semanas.

Por fim, estou quase sem dor alguma, já tirei o dreno na sexta-feira. Estou conseguindo dormir de lado, o que tem facilitado muito a noite.


É isso... Muito feliz até o momento.
Obrigado mãe, pai, Juca e Vó Nina pelo que vocês tem feito por mim.

Léo Castro

No Hospital

Fiquei 26 horas na sala de recuperação do Hospital. Apesar de estar sendo tratado muitíssimo bem, sentia que os enfermeiros sentiam-se de certa forma constrangidos com a situação. O próprio Dr. Marziale também demosntrou esse desconforto.
Fui para o leito as 14h do dia seguinte à cirurgia. Meu plano de saúde me dá direito somente ao quarto compartilhado com outros pacientes e sem acompanhante. Pois é, mas acredito que, na tentativa de desfazer o constrangimento da noite anterior o próprio Dr. Marziale "mexeu seus pauzinhos" e me transferiu para o apartamento 107 do Hospital, onde haviam duas camas e somente eu de paciente. Além disso, terminado o horário de visitas, ninguém veio pedir para que meu pai saísse, então ele acabou ficando comigo como acompanhante. Por fim, mesmo sem meu plano conceder esses privilégios, acabei ficando em um apartamento exclusivo com direito a acompanhante. Entretanto, na noite anterior não haviam leitos e agora eu estava em um quarto com um leito sobrando, mas já era sábado e, segundo o enfermeiro, o fluxo de internações nos fins de semana é menor.

Na manhã de sábado, ainda na recuperação, uma dos momentos mais importantes foram meus primeiros passos. O enfermeiro Sidemar - um cara simples e muito gente boa que puxava um pouco a perna quando caminhava - conseguiu me convencer a levantar da cama e me auxiliou rumo ao banheiro do quartinho pra tomar banho. Esse ato me deu muita confiança. Enquanto estava deitado, ficava imaginando a primeira vez que fosse levantar e pensava que aquele seria um momento muito doloroso. Mas, não foi. Ter levantado e tomado banho menos de 24 horas depois da cirurgia foi uma das melhores coisas que me aconteceu até aquele momento no hospital.

Quando o Dr. Marziale entrou no quarto no início da segunda noite, já no quarto 107, eu estava sentado na poltrona entre as duas camas, com os pés em um banquinho e falando ao telefone com umas amigas que haviam me ligado bêbadas de um barzinho e nem sabiam que eu estava internado, eram a Talita e Flávia, mais uma galera da CVC, onde elas trabalham. Ao entrar no quarto o médico viu aquela cena e disse:
- Hey gordo, tá parecendo um pachá ai, hein?
- Vixi, peraí! Tenho que desligar, meninas. Meu médico entrou aqui no quarto e tá com cara de bravo. - De fato o Dr. Marziale tem fama de ser meio secão, meio mala (veja na foto a cara do homem). Mas eu notei o tom de brincadeira no comentário dele. Ele parecia contente por me ver bem melhor.

Já sabia que nos dois primeiros dias após a cirurgia não poderia ingerir nada, nem mesmo água, e temia por isso. Mas, acabei nem sentindo muita sede, pois estava sendo hidratado pelo soro. De vez em quando só pedia para quem estivesse comigo no quarto pegasse uma gase e embebesse em água para molhar um pouco minha boca. Nessa noite, o Dr. Marziale me liberou para tomar água. Mas ressaltou que deveria tomar apenas 20 ml a cada 20 minutos.
O primeiro gole de água foi como uma explosão incontrolável de prazer. Sentia a água percorrendo todo o caminho desde a língua, passando pela garganta e esôfago até chegar ao meu estômago recém-mutilado.
No dia seguinte as meninas da cozinha já me trouxeram um chá e água de côco. Estava começando a primeira dieta pós-operatória: a dieta líquida.

Foram 3 dias no hospital. Passei uma noite com a minha mãe e duas com meu pai. Noites difíceis porquê tive muita dificuldade pra dormir com a barriga pra cima. Nessas noites em claro, minha grande companheira foi a TV que tinha no quarto. A presença de meus pais e de meu irmão comigo no quarto foi fundamental, não saberia o que fazer se eles não estivessem lá. Eu até conseguia me movimentar, mas precisava sempre da ajuda de alguem pra me levantar ou pra me sentar, pois naquele momento o corte ainda doia bastante.

Saí do hospital na segunda-feira pela manhã. Contente de ver a rua novamente. Feliz por chegar em casa, ver minha vózinha querida. A cada dia que passava me sentia melhor e mais feliz. Ainda não sentia a diferença de peso, mas sabia que seria uma questão de tempo.

Meu retorno estava marcado para a próxima sexta, para retirar o Dreno, a quem eu batizei de "cachorrinho" porque e ficava preso a mim como se fosse um Totó encoleirado e me acompanha pra onde quer que eu fosse.

Bom... falarei mais sobre a primeira semana em um outro post.

Léo Castro

No Dia da Cirurgia


Fui operado pelo Dr. Roberto Marziale, no Hospital São Lucas, em Ribeirão Preto, as 11 horas da manhã do dia 9 de Abril de 2010.
Cheguei ao Hospital São Lucas muito tranquilo, de fato não tinha medo nenhum da cirurgia e estava muito confiante. Queria muito que a cirurgia fosse feita o mais rápido possível. Assim que cheguei, aguardei a parte burocrática e logo fui encaminhado até o centro cirúrgico, onde coloquei a camisola do hospital, um roupão e uma touca. Fiquei esperando no corredor, junto com minha mãe.

- Vamos que os gordinhos não podem esperar - entra o Dr. Roberto Marziale no corredor e em seguida me chama para a sala.
- Vamos lá, meu querido? - disse o anestesista enquanto começava a me acomodar sobre a mesa de cirurgia. - Quem fez a sua avaliação pré-anestésica? - perguntou.
- Acho que foi o Dr. Fábio - respondi
- Aquele japonês que rebola?
- Ele mesmo - disse eu, participando da brincadeira entre colegas feita pelo anestesista. De cara já percebi que o cara era um palhaço.
- A sua cirurgia é mudança de sexo né? - disse o anesista brincalhão - Já escolheu seu novo nome?
- Já sim. Ludmila.
- Bonito nome - disse o piadista.
Realmente estava muito confiante com o procedimento. Sabia da competência do Dr. Marziale. Nas outras cirurgias que fiz, tive uma experiência meio traumática com a anestesia, pois eram aplicadas na medula espinhal e causavam um desconforto horrível na hora da aplicação. Dessa vez estava tranquilo porque sabia que a anestesia era aplicada diretamente na veia junto com o soro. Então, quando o anestesista perguntou: - Agora você vai sentir uma forte sonolência - só tive tempo de fazer uma última piadinha um tanto mórbida: - Então, a partir de agora se eu não voltar mais é alguma coisa deu errado?

- Pronto, Ludmila, a cirurgia terminou - Ouvi a voz do anestesista. Ainda muito grogue, devo ter rido da piada do brincalhão.
- Mas já? Eu acordei sozinho ou vocês me deram alguma coisa pra eu acordar? - Disse eu, enquanto sentia alguns homens me removendo da mesa de cirurgia para a maca. Sabia que a cirurgia tinha acabado há alguns intantes. Minha dúvida era pertinente, fiquei imaginando se eu tinha acordado exatamente naquele momento, haveria a chance de eu ter acordado no meio da cirurgia? Bom, fiquei com essa dúvida no ar. Mas, antes de apagar novamente, a caminho da sala de recuperação fiz a última piadinhha:
- Pede pra me trazerem uma pizza de mussarela de búfala com tomate seco? - Talvez tenha arrancado alguns risos da equipe.

Só acordei novamente na sala de recuperação. Já não era mais só tranquilidade, como algumas horas atrás. Toda minha confiança abalara-se com as dores que sentia. Na verdade, eu sabia que sentiria essas dores, mas a minha confiança era tão grande que tinha esquecido dessa possibilidade.
As horas passavam, e ainda continuava na sala de recuperação. Mantive-me calmo, apesar das dores e da demora. Aos poucos, comecei a perceber, que já não devia mais estar naquela sala. Já não estava mais sobre efeito da anestesia e conforme o tempo passava, me preocupava com minha família, onde eles estavam, se já tinham notícias minhas. Comecei a notar pelos comentários dos enfermeiros que talvez a demora para me transferirem fosse por falta de leitos. E realmente foi o que aconteceu. Perto das 8 da noite, o enfermeiro veio para me transferir. Até aquele momento estava numa caminha bem estreita, em que as grades encostavam nos braços de ambos os lados, parecendo uma mini-prisão. Perguntei ao enfermeiro: " Vou para o quarto?" - ele respondeu evasivamente: "Sim, vou lhe arrumar uma cama melhor pra você descansar bem essa noite". Me levaram para uma sala chamada de isolamento, que ficava anexa à recuperação.

Minha mãe ficou indignada com essa situação, por falta de leito, acabei tendo que passar a noite improvisado em um cantinho da sala de recuperação. Mas, em compensação o atendimento e a atenção que me foi dada pelos enfermeiros da recuperação, nos fizeram esquecer essa situação.
Essa noite foi terrível. Não consegui pregar o olho por mais de 5 minutos consecutivamente. Cuspia uma secreção que vinha direto do estômago, uma mistura de saliva com sangue, durante a noite toda. Sujei umas 15 toalhas do hospital com essa secreção. Além disso, a posição não era das mais confortáveis para dormir. Eu que estou acostumado a dormir de bruços sofri muito pra dormir de barriga pra cima.
As dores eram controladas por medicação, mas ainda assim, não dá pra dizer que não doia nada.
Minha mãe. Coitada! Também não dormiu a noite inteira. Eu a chamava a cada 5 minutos. Quando dava um tempinho de folga, ela tentava descansar em um sofazinho minusculo que tinha na salinha.

A manhã chegou. O resto da história, contarei em outro post. Mas, queria lembrar que nesse primeiro dia, durante a noite, teve um único momento em que senti um certo arrependimento de ter feito a cirurgia. Mas juro que foi algo momentâneo. Até agora está valendo a pena cada sufoco e gemido por que passei

Léo Castro

sexta-feira, 16 de abril de 2010

Conferindo a Balança

Dia 16 de Abril de 2010 - Uma semana após a Gastroplastia
Peso: 152,1 kg
Perda: 9,9 kg
IMC: 50

A Trajetória até a Cirurgia


Fiz a cirurgia no dia 9 de Abril de 2010 no Hospital São Lucas. Mas a trajetória da minha cirurgia de redução de estômago não começou nesse dia, mas 8 anos atrás, quando procurei pela primeira vez o Hospital das Clínicas em Ribeirão Preto. Participei do programa de nutrologia, que preparava os gordinhos para a cirurgia bariátrica. Mas nessa época, a maioria dos pacientes acabava desistindo quando enfrentavam a temida "Fila". Uma lista de pacientes que iriam finalmente fazer a cirurgia, sendo toda ela coberta pelo SUS. Demorava-se muito pra entrar na fila, e mesmo quando se entrava, a espera era grande. Acabei desistindo porque precisava estar no HC todas as terças de manhã, o que complicava meus estudos em ano pré-vestibular. Nessa época pesava perto de 140Kg. Esse foi meu primeiro contato com a cirurgia bariátrica.
Sempre fui obeso, desde criança, passando pela adolescência até a fase adulta. Mas isso é um assunto pra um outro post.
Em 2004 entrei na universidade e fui pra São Carlos. Durante a faculdade engordei mais e no final de 2009 cheguei na casa dos 160Kg. Durante todos os anos da faculdade, comentava com meus amigos e planejava fazer o plano de saúde para poder fazer a cirurgia bariátrica, mas isso passava pelo vencimento dos 2 anos de carência que os planos de saúde tem. Então teria que contratar o plano para poder fazer a cirurgia só depois de 2 anos.. Era um sonho que eu tinha, mas que ia protelando ou por preguiça ou por não ter dinheiro suficiente pra contratar o plano no momento.
Os anos passavam, e o André, grande amigo e companheiro de faculdade um dia me disse: "Léo, se você tivessse feito esse plano desde a primeira vez que você teve vontade, já teria feito a cirurgia". Quando ele disse isso eu meio que cai na real. De fato, eu estava deixando pra depois um sonho que eu tinha desde 2002.
Pois em Agosto de 2007, venci a letargia que consumia nossa vida universitária e fiz o plano da Unimed São Carlos. Durante os dois anos da carência que eu queria vencer usei o plano duas ou três vezes. Paguei os dois anos de plano. Sempre com duas ou três mensalidades atrasadas. Correndo todo dia 15 pra pagar a mensalidade para não cortarem o meu plano. Um dia, do nada, resolvi dar uma olhada no contrato da Unimed e bem naquele mês, Agosto de 2009, a carência vencia.
Mas isso não significa que procurei o médico logo de cara. Como sempre, protelei um pouco até o início do ano. Marquei minha primeira consulta com o Dr. Roberto Marziale no dia 6 de Janeiro de 2010.
Foram exatos 3 meses e 3 dias até a cirurgia. Nesse período fiz diversos exames de sangue, urina, endoscopia e tudo mais. Passei por uma avaliação com uma psicóloga e depois por um curso preparatório para a cirurgia no SEMPRE (Serviço de Medicina Preventiva da Unimed).
Foram anos de espera até o dia da cirurgia. Estava mais preparado do que nunca. Sem medo ou receio algum. Ansioso pela chegada do grande dia.

Dia 9 de Abril de 2010 será a data em que comemorei para sempre como meu renascimento e por uma feliz coincidência a data de aniversário da minha querida avó Nina, a mulher que me ensinou o significado do amor incondicional.

O que aconteceu depois da cirurgia, vou contando aos poucos.

Léo Castro

Ficha Completa


Nome: Leonardo Castro dos Reis ou simplesmente Léo
Data de Nascimento: 26/11/1984
Idade: 25 anos
Peso inicial: 162 kg
IMC:  53 (super obeso)
Natural de: Ribeirão Preto
Profissão: Estudante de Engenharia de Produção, Barman, Garçon, Produtor Cultural (o que vier eu encaro!)
Hobbies: Música, Ilustrações e TV
Vícios: Quase todos
Hábitos Saudáveis: Quase nenhum
Como se define: "Um cara de talento"
Como os outros o definem: "Um gordo gente boa e inteligente"
Um Ídolo: José Valdo de Castro (meu avô)
Um sonho: um não, muitos... sonhos com prazos de validade... sonhos que me façam viver um dia de cada vez.
Por que fez o blog "Gastroplastizado:" Fiz a cirurgia bariátrica no dia 9 de Abril de 2010 e gostaria de dividir com alguém (sei lá quem vai ler isso) essa experiência e talvez poder motivar e ajudar outras pessoas que estejam querendo passar pelo mesmo processo.

Conferindo a Balança

08 de Abril de 2010
Um dia antes da cirurgia eu era assim
Peso: 162,0 kg
IMC: 53